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domingo, 3 de março de 2013

O texto que nunca pensei escrever

Como tudo isto é irónico. Tenho tartarugas há cerca de doze anos e comecei a escrever o blog há vinte dias e nunca que pensei que um dia teria de vir aqui publicar a notícia da morte de uma tartaruga. Nunca que se está preparado para uma coisa destas, ainda para mais depois de ter tartarugas há tantos anos e nada de especial lhes ter acontecido. Os anos dão-nos experiência e a tranquilidade de que as tartarugas são animais muito resistentes e que não têm grandes problemas de saúde.

Não sei de todo o que se passou. Este era o segundo ano de hibernação da corcunda e no último dia de dezembro ela ainda se esticava cá fora ao sol. Será que não se alimentou conveniente e não terá sobrevivido à hibernação? Se no primeiro ano era muito raro vê-la alimentar-se e por isso deitava sempre comida a mais precisamente para que ficasse alguma para que ela se pudesse alimentar ainda se poderia justificar. Mas este ano ainda por cima introduzi as plantas aquáticas e o lago esteve quase todo o ano coberto de plantas aquáticas para ela, que especialmente gosta de verduras, se pudesse alimentar delas, ou seja, ela sempre teve ali muita comida disponível.

Não sei.... Depois de a ter encontrado certa vez de cabeça para baixo enfiado entre dois troncos e ao pegar nela pensei mesmo que já não resistiria ao dia seguinte. Depois de ter aparecido no terreno do vizinho, e me ter obrigado a vedar as heras com as canas porque era perita em evadir-se... Depois de ter passado por tudo isso, e de me ter deixado com a ideia que mais nada de mal lhe iria acontecer, e sem nada que o fizesse prever, acontece isto.

Há sempre um sentimento de culpa, acho que é normal. Ficará sempre a dúvida se falhei em alguma coisa ou se o poderia ter evitado, mas também agora de nada adianta estar a recriminar-me, porque já nada mudará o que aconteceu e ela não voltará...

Aqui fica uma das últimas fotografias da corcunda tirada a 30 de dezembro de 2012.

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