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sábado, 14 de setembro de 2013

A lei

- Ter Trachemys em casa é uma coisa horrível não é professor?
É.
- Mas eu poderia fazê-lo?
Podias.
- E o que é que me acontecia?
Nada!
- Mas eu estava a ir contra a lei!
Estavas.
- Mas como é que a lei me punia?
De maneira nenhuma!
- Mas isso não é um bocadinho incoerente?
Shuu! Ter Trachemys em casa é proibido.
Mas pode-se ter.
Só que é proibido!
Que é que acontece a quem tem?
Nada!

- Então posso comprar uma Trachemys para ter em casa?
Podes.
- Mas não é proibido?
É.
E o que é que me acontece?
Nada!

(Adaptação da rábula do Gato Fedorento sobre a opinião incoerente do comentador Marcelo sobre o referendo do aborto)

sábado, 7 de setembro de 2013

Tartaruga abre a boca - Bocejo ou não?

Quem segue o blogue sabe que de tempos a tempos gosto de colocar fotografias com as tartarugas com a boca aberta. É algo que ocorre muito rapidamente, coisa de um segundo talvez, daí que seja precisa muita paciência para capturar esse momento.

Sempre que leio sobre isso as pessoas referem-no como sendo um bocejo. Eu ainda não muito convencido disso. Quando alguém boceja, seja um humano ou outro animal, abre a boca muito lentamente, normalmente até estica o corpo e fecha os olhos, como se logo a seguir fosse cair para o lado e adormecer.

O fenómeno que observo nas tartarugas é quase como se estivessem entaladas, primeiro baixam a cabeça (e é nesse momento que lhes aponto logo a câmara!) e só depois sim abrem a boca. Não sei, talvez seja mesmo bocejo, mas ainda não estou totalmente convencido.

Depois também é interessante que, como sabemos, o bocejo é contagioso tanto nos humanos como nos animais, mas esse facto segundo especialistas só acontece nos animais que têm a capacidade de se reconhecer ao espelho. E no caso, quando uma tartaruga abre a boca mais nenhuma o faz.

Mas seja lá o que for, hoje consegui mais duas fotografias da troosti a abrir a boca.







sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Preservar a carapaça

Passou agora meio ano que encontrei a corcunda morta. Depois do choque inicial que é encontrar, sem nada que o fizesse prever, uma tartaruga a boiar no lago, surge a questão - que fazer com o corpo do animal? Com qualquer outro animal enterra-se e temos o problema resolvido. Com uma tartaruga existe sempre a possibilidade de se conservar a carapaça.

Não pensei muito e resolvi colocá-la numa pequena pilha de composto já curtido que estava debaixo de uma laranjeira que estava pronto para utilizar quando precisasse. Mas já há uns meses quando retirei grande parte de uma pilha encostada ao sítio onde estava a tartaruga, apercebi-me que fiz asneira em deixar o composto já curtido ali tanto tempo. As raízes da laranjeira tinham subido e estavam-se já a alimentar daquele adubo orgânico.

Ontem, cerca de seis meses depois de a ter enterrado, qual arqueólogo, resolvi começar a escavar cautelosamente para tentar encontrar os restos mortais da corcunda e ver em que estado estariam a carapaça e restantes ossos. E qual não é a minha surpresa, quando já só encontrei o plastrão ainda intacto, ao passo que a carapaça era já só mesmo uma película muito fina. Tudo o resto decompôs-se e serviu de nutrientes para a terra.


Carapaça


Plastrão vista exterior


Plastrão vista interior


Plastrão vista de cima


Plastrão e carapaça


Plastrão e carapaça

Estou em crer que por se tratar de uma tartaruga muito jovem e não ter a estrutura óssea bem formada se decompôs muito mais depressa do que se fosse um animal com dez ou mais anos.
Bom, de qualquer forma espero não ter outra oportunidade para tentar outro método mais eficaz de preservar os restos mortais. Mas fica o exemplo para outras pessoas que o queiram fazer, para umas tartaruga jovem de quatro ou cinco anos, seis meses enterrada é demasiado tempo para se preservar a carapaça do animal.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A quem entregar uma tartaruga?

Seja porque já não têm instalações suficientes para a sua tartaruga aquática, ou porque a vida deu muitas voltas e agora o animal de estimação é um empecilho, ou por outro motivo qualquer, muitas pessoas confrontam-se constantemente com o que fazer com uma tartaruga que já não podem ou não querem ter?

A solução mais evidente para muitas pessoas é pegar no animal e deixá-lo num qualquer curso de água e além de terem o problema resolvido ainda ficam satisfeitas pois acham que acabaram de libertar o Willy!
Só que isso é o que NUNCA se deve fazer em caso algum. Estamos a falar de animais exóticos vorazes que vão prejudicar a nossa fauna, muitas vezes concorrendo diretamente com as nossas espécies de si já ameaçadas por causa da destruição dos seus habitats.

- O que fazer então?

Como é lógico a primeira coisa é procurar junto dos nossos contactos se alguém estaria interessando em ficar com o animal,  e foi assim que, por exemplo, que eu adotei as primeiras tartarugas. E hoje em dia esse trabalho até está muito mais facilitado com o recurso da internet, porque rapidamente as pessoas fazem passar a mensagem por todos os seus amigos e conhecidos nas redes sociais, ou podem colocar um anúncio em sítios de vendas, ou doar num fórum da especialidade onde há sempre alguém interessado em adotar.

- Mas e se mesmo assim não se arranjar quem fique com o animal?

Bom, em último recurso existem sempre entidades oficiais preparadas para o efeito que acolhem os animais. Não são muitos, nem sequer cobrem minimamente todo o território nacional, mas se for o caso também se pode contactar para o Serviço de Proteção  da Natureza e do Ambiente (SEPNA) que eles também encaminharão o animal para um desses centros.

De qualquer das formas aqui ficam os contactos dos Centros de Receção Oficiais onde podem ser entregues as tartarugas exóticas: 

ICNF
secretariado.cd@icnf / 213507900 / Lisboa

RIAS
rias.aldeia@gmail.com / 927659313 /Olhão

Parque Biológico de Gaia
geral@parquebiologico.pt / 227878120 / Gaia

Reserva Natural das Dunas de São Jacinto
rndsj@aveiro-digital.net / 234831063 / Aveiro

Reserva Natural do Paúl de Arzila
rnpa@icnb,pt / 239980500 / Coimbra

Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António
rnscm@icn.pt / 281510680 / Castro Marim

Reserva Natural do Estuário do Sado
Praça da República / 265541157 / Setúbal