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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Plastrão - Do milagre ao teste dos borrões

Por estes dias lia a notícia que em Culiacancito, no México, falou-se num milagre de uma tartaruga. Três crianças - será que nesta coisa dos milagres e das aparições têm de meter sempre ao barulho três crianças?! - enquanto andavam a chapinar nuns charcos, encontraram uma tartaruga que trouxeram para casa. Depois de a meterem numa bacia com água e lhe darem comida, ao olharem para o plastrão do animal, de imediato conseguiram ver a Virgem de Guadalupe!


O plastrão (do francês plastron) é a parte inferior da carapaça (ou casco) da tartaruga que protege a zona do ventre. Ora todas as tartarugas têm uma espécie de pintura em forma de manchas escuras, que funcionam como as impressões digitais nos humanos. 

Tal como quando éramos crianças, que olhávamos para o céu para ver o que parecia determinada nuvem, também se olharmos para as manchas das tartarugas, certamente que conseguiremos ver coisas incríveis! 

Até houve um sujeito, de seu nome Rorschach, que com meros borrões de tinta, criou um teste, que vários anos depois da sua morte se tornou muito popular na psicologia, em que basicamente se mostram esses borrões às pessoas, e mediante aquilo que acham que vêem, se analisa a personalidade da pessoa. 

Pegando, a título de exemplo e curiosidade, numa fotografia do plastrão da minha hieroglífica e convertida em borrão:


O que é que vocês vêem aqui? 

domingo, 10 de agosto de 2014

Plantas aquáticas - O filtro natural

Quem vai acompanhando o blogue, sabe que eu não tenho qualquer tipo de filtro no lago, o que implica que, se quiser ter a água limpa, tenha de vazar os 500L, lavar o lago e encher de novo, o que acarreta um gasto considerável. Mas a água suja nunca é desperdiçada porque transfiro-a através de uma bomba, para um depósito que tenho, e que depois servirá para regar as muitas plantas que tenho. Muitas vezes também encho o regador do lago para regar e depois volto a acrescentar mais água da torneira. Mas tudo isto pode ser dispensável se usarmos um filtro natural, que não implica passar cabos, bombas, gasto de eletricidade, etc. E é aí que entram as plantas aquáticas. 

Para conseguirmos manter a água transparente no lago, é necessário existir um equilíbrio entre vida vegetal e animal, se isso não acontecer, a água tornar-se-à turva e mal cheirosa. Ainda por cima as tartarugas no verão comem imenso, e eu tenho cinco tartarugas, que se muito comem também muito sujam, e a água devido à luz e calor, além de muito verde por causa das algas, fica também muito porca e mal cheirosa.

Os responsáveis pela turvação da água são, como referi, as algas, plantas microscópicas que se desenvolvem à luz do sol, e alimentam-se dos sais minerais existentes na água, introduzidos pelos excrementos das tartarugas, e pela decomposição de outras matérias orgânicas como restos de comida, folhas caídas, bocados de plantas aquáticas apodrecidas, etc.

E é aqui que entram as as plantas oxigenadoras. Estas plantas vivem submersas na água, alimentando-se dos tais sais minerais, e por isso impedem que as algas se desenvolvam. Além disso, criam manchas de sombra no lago, e retiram a luz necessária para as algas se desenvolverem. Por outro lado as oxigenadoras captam o dióxido de carbono libertado pelas tartarugas. Em troca, libertam oxigénio na água (daí o seu nome) que fica disponível para ser captado pelos animais. Cria-se assim um ciclo perfeito: as plantas oxigenadoras e os animais aquáticos (tartarugas e peixes se existirem) utilizam reciprocamente os produtos eliminados pelos outros. 

E é por isso que eu gosto do jacinto-de-água (ou aguapé) precisamente por ser uma planta que funciona como filtro natural, capaz de retirar enorme quantidade de nitratos da água, ajudando a torná-la transparente. Quando adicionei os jacintos-de-água a água estava verde e extremamente suja, não a substituí precisamente para testar a eficácia da planta, e os resultados são assinaláveis. 

Jacinto-de-água (Eichhornia crassipes)


Água do lago depois de filtrada pelas plantas

Como é lógico, não é aconselhável encher todo o lago de plantas aquáticas, porque é preciso deixar uma zona para alimentar as tartarugas, e até para elas se movimentarem com mais facilidade. Eu não cumpri esse requisito porque, como a água estava muito suja, quis mais rapidamente filtrá-la e torná-la mais transparente. Mas o que se aconselha, é deixar metade ou dois terços da superfície da água livre de plantas, mas isto é um pouco senso comum.  






Ainda assim parece-me que os jacintos-de-água estão a resistir bem. Claro que uns quantos levam umas dentadas ou são trepados e atropeladas, e é preciso ir retirando alguns resíduos que ficam a flutuar na água, mas acho que por serem muito altos estão a resistir mais do que esperava, e quem sabe ainda dêem flor no lago. Veremos.