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sábado, 10 de setembro de 2022

Uma Surpresa Macabra

 


No fundo se calhar era tudo uma questão de tempo até acontecer. 

Por estes dias fui apanhado completamente desprevenido quando olhava para o lago das tartarugas. 

Uma pequenina tartaruga com menos de dois centímetros a boiar morta. 

Por um lado a surpresa de confirmar que tendo dois machos o mais provável é começarem-se a reproduzir (mesmo que eu tente retirar todos os ovos que encontre), algo que de todo não quero. Por outro, e visto que já tinha nascido, então, sem dúvida que preferia que a bicha tivesse sobrevivido. Acredito que possa ter morrido porque a água não estava, e pude observar um olho bastante inchado, mas tudo isto é especular. 

Mas agora o importante é pensar numa solução. E so vejo duas. Ou ofereço os machos ou então tenho que fazer um segundo lago para separar os machos das fêmeas. Ou ainda uma terceira, dividir o lado e separar o espaço. 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Preservar a carapaça

Passou agora meio ano que encontrei a corcunda morta. Depois do choque inicial que é encontrar, sem nada que o fizesse prever, uma tartaruga a boiar no lago, surge a questão - que fazer com o corpo do animal? Com qualquer outro animal enterra-se e temos o problema resolvido. Com uma tartaruga existe sempre a possibilidade de se conservar a carapaça.

Não pensei muito e resolvi colocá-la numa pequena pilha de composto já curtido que estava debaixo de uma laranjeira que estava pronto para utilizar quando precisasse. Mas já há uns meses quando retirei grande parte de uma pilha encostada ao sítio onde estava a tartaruga, apercebi-me que fiz asneira em deixar o composto já curtido ali tanto tempo. As raízes da laranjeira tinham subido e estavam-se já a alimentar daquele adubo orgânico.

Ontem, cerca de seis meses depois de a ter enterrado, qual arqueólogo, resolvi começar a escavar cautelosamente para tentar encontrar os restos mortais da corcunda e ver em que estado estariam a carapaça e restantes ossos. E qual não é a minha surpresa, quando já só encontrei o plastrão ainda intacto, ao passo que a carapaça era já só mesmo uma película muito fina. Tudo o resto decompôs-se e serviu de nutrientes para a terra.


Carapaça


Plastrão vista exterior


Plastrão vista interior


Plastrão vista de cima


Plastrão e carapaça


Plastrão e carapaça

Estou em crer que por se tratar de uma tartaruga muito jovem e não ter a estrutura óssea bem formada se decompôs muito mais depressa do que se fosse um animal com dez ou mais anos.
Bom, de qualquer forma espero não ter outra oportunidade para tentar outro método mais eficaz de preservar os restos mortais. Mas fica o exemplo para outras pessoas que o queiram fazer, para umas tartaruga jovem de quatro ou cinco anos, seis meses enterrada é demasiado tempo para se preservar a carapaça do animal.

domingo, 3 de março de 2013

O texto que nunca pensei escrever

Como tudo isto é irónico. Tenho tartarugas há cerca de doze anos e comecei a escrever o blog há vinte dias e nunca que pensei que um dia teria de vir aqui publicar a notícia da morte de uma tartaruga. Nunca que se está preparado para uma coisa destas, ainda para mais depois de ter tartarugas há tantos anos e nada de especial lhes ter acontecido. Os anos dão-nos experiência e a tranquilidade de que as tartarugas são animais muito resistentes e que não têm grandes problemas de saúde.

Não sei de todo o que se passou. Este era o segundo ano de hibernação da corcunda e no último dia de dezembro ela ainda se esticava cá fora ao sol. Será que não se alimentou conveniente e não terá sobrevivido à hibernação? Se no primeiro ano era muito raro vê-la alimentar-se e por isso deitava sempre comida a mais precisamente para que ficasse alguma para que ela se pudesse alimentar ainda se poderia justificar. Mas este ano ainda por cima introduzi as plantas aquáticas e o lago esteve quase todo o ano coberto de plantas aquáticas para ela, que especialmente gosta de verduras, se pudesse alimentar delas, ou seja, ela sempre teve ali muita comida disponível.


Não sei.... Depois de a ter encontrado certa vez de cabeça para baixo enfiado entre dois troncos e ao pegar nela pensei mesmo que já não resistiria ao dia seguinte. Depois de ter aparecido no terreno do vizinho, e me ter obrigado a vedar as heras com as canas porque era perita em evadir-se... Depois de ter passado por tudo isso, e de me ter deixado com a ideia que mais nada de mal lhe iria acontecer, e sem nada que o fizesse prever, acontece isto.

Há sempre um sentimento de culpa, acho que é normal. Ficará sempre a dúvida se falhei em alguma coisa ou se o poderia ter evitado, mas também agora de nada adianta estar a recriminar-me, porque já nada mudará o que aconteceu e ela não voltará...