Muitos paleontólogos defenderam que as tartarugas tiveram origem num réptil ancestral, o Eunotosaurus africanus, que viveu há 260 milhões de anos. Outros estudos, centrados em evidências genéticas, sugeriram, contudo, que as tartarugas são, na realidade, mais semelhantes aos crocodilos e às aves e que poderão partilhar um antepassado comum com estes animais.
«A origem das tartarugas sempre foi um osso duro de roer», afirmou Xavier A. Jenkins, do Museu Americano de História Natural, em Nova Iorque.
Num novo estudo publicado na revista Current Biology, o Dr. Jenkins e os seus colegas afirmam ter resolvido este debate de longa data. Segundo os investigadores, as tartarugas não são sobreviventes de uma linhagem ancestral representada pelo Eunotosaurus, mas pertencem antes a um grupo de répteis chamado arcossauromorfos, que inclui também aves ancestrais, crocodilos, pterossauros e dinossauros.
E, desta vez, os investigadores dispõem de evidências anatómicas que correspondem aos dados de ADN. (Em cima encontram-se reconstruções dos esqueletos, de cima para baixo, de Protorosaurus, de há cerca de 250 a 260 milhões de anos; Pappochelys, de há 240 milhões de anos; e Proganochelys, de há 220 milhões de anos.)
Quando as tartarugas surgiram pela primeira vez, o mundo estava ainda a recuperar da extinção do final do Pérmico e início do Triássico. Os répteis estavam a espalhar-se pelo supercontinente Pangeia, dando rapidamente origem a uma sucessão de novas formas.